IA na educação corporativa: ganhando escala e reinventando o possível
25 / 09 11:58 ( 3596563 )IA na educação corporativa: ganhando escala e reinventando o possível
Por Larissa Takayama, AI Product Builder na Crescimentum
Há algumas semanas, eu estava testando uma solução de inteligência artificial que desenvolvemos e tive uma sensação curiosa: ela estava respondendo como eu responderia, quase como se estivesse pensando como eu penso.
Mas isso não aconteceu do dia pra noite (e nem era eu que estava pensando como ela, tá?). Esse resultado veio de muito tempo desenvolvendo e colocando o meu jeito de fazer as coisas dentro dessa tecnologia, literalmente ensinando ela a pensar como eu penso para fazer determinadas tarefas.
E essa foi uma das discussões que eu trouxe na minha palestra no HackTown 2026: como utilizar a IA na educação corporativa para alavancar o SEU jeito de fazer, o SEU pensamento crítico, a SUA régua de qualidade. O quanto você está conseguindo colocar método e processo dentro dessa tecnologia? Ou será que você só está “delargando” as tarefas pra ela?
Infelizmente grande parte de nós ainda usa IA como uma caixa-preta. Colocamos um problema de um lado e esperamos uma resposta do outro. No Brasil, segundo uma pesquisa recente da KPMG, 69% das pessoas que usam a IA no trabalho afirmam já ter se baseado em um resultado sem avaliar sua precisão. E claro, se muita gente usa sem critério, a consequência é desconfiança: 67% dizem desconfiar de conteúdos gerados por IA.
Em T&D, a adoção e integração da IA é um dos principais desafios (segundo Global Sentiment Survey 2026 do Donald Taylor), acompanhadas pela preocupação em preservar qualidade, pensamento crítico e confiança.
Acredito que parte dessas preocupações nasce justamente da FORMA como a gente utiliza a IA. Temos que parar de usar essa tecnologia como uma caixa-preta, parar de terceirizar o raciocínio e pensamento crítico.
Não basta pedir à IA para criar um treinamento, analisar uma pesquisa ou fazer uma tarefa. É preciso explicar quais critérios usamos, que caminho seguimos e o passo a passo de como chegar lá. Quanto mais explícito é o nosso jeito de fazer, menor a chance de recebermos apenas uma resposta genérica (e uma resposta ruim, que gera muito retrabalho depois).
Para além da IA poder nos ajudar a escalar o nosso jeito de fazer, existe ainda uma possibilidade de ganho mais interessante: usar IA para repensar soluções que foram criadas quando essa tecnologia não existia.
Um exemplo que testamos na Crescimentum nasceu de um problema conhecido na educação corporativa. A pessoa participa de um treinamento, sai motivada, constrói um plano de ação e volta à rotina. E o plano de ação? Cai no esquecimento.
Como a gente resolve (ou resolvia) esse problema clássico? Marcando encontros pra falar sobre os planos de ação, fazendo guias de conversa para a liderança acompanhar o(a) liderado(a), … Mas e se a gente pudesse repensar essas soluções à luz dessa nova tecnologia? Daí surgiu a ideia de fazer uma ferramenta de lembretes hipersonalizados de plano de ação. Essa ferramenta não apenas te lembra o que você se comprometeu a fazer, mas principalmente PORQUÊ aquilo é importante pra você, qual a sua motivação por trás. A solução, chamada MemÓliver, registrou 79% de conclusão das ações e relatos como “parece minha própria consciência me lembrando do que devo fazer”.
Percebe que esse tipo de solução não seria possível sem a IA?
IA na educação corporativa não deveria significar simplesmente produzir mais cursos, materiais ou conteúdos em menos tempo. Em alguns casos, o ganho será eficiência. Em outros, escala ou personalização. Mas a maior oportunidade aparece quando conseguimos fazer algo que antes simplesmente não era possível.
Por isso, antes de perguntar qual ferramenta de IA uma empresa deveria adotar, eu faria outra pergunta: que problema resolvemos hoje de um jeito que foi desenhado quando essa tecnologia ainda não existia?
Larissa Takayama é AI Product Builder da Crescimentum, empresa de educação corporativa que integra o Cegos Group. Engenheira elétrica pela Poli-USP, tem mais de seis anos de atuação em Treinamento & Desenvolvimento, MBA em Liderança e Gestão de Equipes Saudáveis e é coautora de “Protagonismo das Mulheres na Liderança – Vol. 2”.
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