Saúde mental depende do equilíbrio entre empresas e indivíduos

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Saúde mental depende do equilíbrio entre empresas e indivíduos

Por Roberta Moreira Lima, fundadora CEO da BeHeart*

O debate sobre saúde mental ganhou força nos últimos anos, mas ainda persiste a ilusão de que esse tema cabe apenas às empresas. A verdade é que se trata de uma responsabilidade compartilhada: organizações precisam garantir ambientes emocionais seguros, mas indivíduos também devem assumir práticas de autocuidado. O problema raramente é o trabalho em si, e sim o desequilíbrio entre o que se exige e o que corpo e mente conseguem sustentar. Quando essa conta não fecha, instala-se um ciclo de adoecimento que pode se transformar em estresse crônico ou burnout.

Os dados confirmam a gravidade do tema. Estudos indicam que trabalhadores altamente engajados estão entre os mais vulneráveis ao burnout. Pesquisas como a de Nuallaong (2013) e Kramuschke et al. (2024) apontam que a paixão pelo trabalho não protege contra o esgotamento; pelo contrário, pode intensificar a sobrecarga emocional. Isso mostra que amar o que se faz não basta quando não há espaço para descanso, limites ou pausas de recuperação.

No campo corporativo, as Normas Regulamentadoras NR-1 e NR-17 já reconhecem riscos psicossociais como metas inalcançáveis, jornadas excessivas, falta de apoio e ambientes tóxicos. Cabe às empresas criar culturas de segurança psicológica, onde pedir ajuda não seja visto como fraqueza e onde o bem-estar seja entendido como parte da estratégia de competitividade. Uma organização que negligencia esses fatores não apenas compromete a saúde de sua equipe, mas também mina produtividade e inovação.

Entretanto, atribuir a responsabilidade apenas às instituições é insuficiente. O cuidado com a saúde mental também exige escolhas individuais. Pausas regulares, sono adequado, alimentação equilibrada e práticas de autorregulação são medidas indispensáveis para preservar o equilíbrio emocional. Essas técnicas contribuem para o desenvolvimento da resiliência, fundamental para enfrentar pressões constantes sem sucumbir ao esgotamento.

Um exemplo concreto é a coerência cardíaca, exercício de respiração rítmica validado cientificamente. Segundo o HeartMath Institute, em apenas seis a nove semanas de prática regular é possível reduzir em 56% a autopercepção de sintomas depressivos e em 46% a autopercepção de ansiedade. Os benefícios vão além: incluem melhora do sono, maior clareza mental, foco aprimorado e redução consistente do estresse. Trata-se de um recurso simples, acessível e de alto impacto, capaz de gerar efeitos positivos tanto para indivíduos quanto para organizações.

Alguns podem argumentar que, diante da pressão de metas e crises econômicas, sobra pouco espaço para o autocuidado. Essa visão, embora compreensível, ignora que negligenciar a própria saúde gera custos ainda maiores. Sem equilíbrio, a produtividade cai, aumentam afastamentos e reduzem-se as chances de lidar com a pressão de forma sustentável. A responsabilidade é mútua: empresas devem oferecer condições saudáveis, mas cada pessoa também precisa assumir seu papel nesse pacto de preservação.

Em um cenário em que o adoecimento mental cresce, a solução não virá de um único lado. Reconhecer que a saúde emocional depende do equilíbrio entre demandas externas e recursos internos é o primeiro passo para quebrar o ciclo de sobrecarga. Empresas comprometidas com ambientes seguros e indivíduos conscientes de suas práticas de autocuidado podem, juntos, transformar a forma como o trabalho e a vida pessoal se entrelaçam. O desafio é coletivo, mas o benefício também: sociedades mais saudáveis, produtivas e resilientes.

*Roberta Moreira Lima é publicitária e instrutora certificada pelo HeartMath Institute, especialista em coerência cardíaca, saúde emocional e bem-estar no ambiente corporativo. É fundadora CEO da BeHeart.

 

 

João Machado
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