Estágio remoto, híbrido ou presencial? Especialista analisa prós e contras de cada modelo na formação de estagiários

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Estágio remoto, híbrido ou presencial? Especialista analisa prós e contras de cada modelo na formação de estagiários

Em meio ao movimento de retorno ao trabalho presencial, gestora de RH da Companhia de Estágios reflete sobre cada modalidade

Os últimos anos trouxeram novos paradigmas para o mundo do trabalho, forçando empresas e lideranças a encontrarem soluções para manter a produtividade, adotando modelos variados de trabalho. Desde então, presencial, remoto e híbrido se tornaram formatos em disputa dentro das empresas, cada um com vantagens e desafios – e o estágio não ficou de fora dessas disputas.

Apesar de o modelo híbrido ter perdido espaço nos últimos dois anos, tendo caído de 74% em 2022 para 42% em 2024 nas empresas, segundo a Cushman & Wakefield, ele ainda é apontado por especialistas como o mais equilibrado para o desenvolvimento de jovens profissionais em início de carreira. “Acredito no híbrido como o formato que mais favorece a produtividade e o bem-estar”, afirma Ana Eliza Silva, coordenadora de Recursos Humanos da Companhia de Estágios. Com base em sua experiência, ela aponta que, especialmente para estagiários, a combinação entre dias no escritório e dias de trabalho remoto oferece um ambiente mais rico de aprendizagem e mais alinhado às demandas das novas gerações, sem perder os vínculos essenciais com a cultura da empresa.

Já no modelo presencial, a principal vantagem é a intensidade da troca entre colegas e lideranças. A exposição ao ambiente de trabalho permite absorver mais rapidamente os códigos culturais, os rituais da empresa e o aprendizado informal. “Para estagiários, a presença física é fundamental para formar referências, construir laços e desenvolver a noção de performance e propósito”, explica Ana Eliza. O contraponto é a dificuldade de deslocamento e o tempo, especialmente para os jovens que moram longe do trabalho. Para a nova geração, em particular, esse retorno total pode parecer um retrocesso.

De todo modo, a especialista ressalta que o modelo de trabalho não deve ser o único critério na hora de escolher uma vaga. Oportunidades de aprendizado, exposição ao mercado, mentorias, treinamentos, benefícios e potencial de crescimento devem pesar na decisão dos candidatos. Ela cita o caso de uma estagiária que trabalhava em formato híbrido e estava prestes a ser efetivada, mas decidiu aceitar uma proposta semelhante em uma grande empresa financeira, com regime 100% presencial. A escolha foi motivada pela chance de vivenciar um ambiente de alto nível, ganhar mais experiência e se desafiar em um novo contexto. “Ela enxergou ali uma oportunidade de alavancar a carreira, e isso falou mais alto”, conta.

O trabalho remoto, por sua vez, oferece mais autonomia, economia de tempo e qualidade de vida. É ideal para quem possui uma certa maturidade profissional e sabe gerir o próprio tempo, mas para estagiários, é um modelo  que exige um esforço extra da empresa para garantir engajamento, aprendizado e conexão. Para a especialista, o modelo de trabalho 100% remoto é muito desafiador para talentos que estão no início da carreira. Ela argumenta que são profissionais que ainda não possuem referências no que diz respeito à administração de tempo, trocas constantes, conhecimento dos propósitos e valores da empresa, bem como noções de cultura organizacional.

“O desafio maior é para a gestão e a liderança destes talentos. É necessário  que estejam disponíveis no online, acompanhem processos, criem ritos e orientações, estabeleçam uma rotina para o sucesso do trabalho remoto. Esse acompanhamento não pode ser solto. O estagiário está em fase de formação do seu caráter profissional e o líder é sua referência nisso”, comenta.

Além disso, a especialista  reforça a necessidade de criar parâmetros e estratégias para aprimorar a curva de aprendizado, que pode ser comprometida neste modelo, já que dúvidas simples podem demorar a ser resolvidas, já que a troca espontânea é mais rara.

modelo híbrido se coloca, assim, como um meio-termo valioso. Permite foco individual e introspecção nos dias remotos, ideais para estudos e organização de tarefas, ao  mesmo tempo em que mantém vivas as conexões humanas e a cultura organizacional nos dias presenciais. “Pessoas felizes e engajadas produzem mais. O híbrido respeita esse equilíbrio”, resume Ana Eliza.

Por outro lado, o formato remoto contribui para a diversidade regional dos estagiários, ampliando as possibilidades de contratação para além dos grandes centros urbanos. Quando bem estruturado, o modelo favorece a inclusão, desde que a empresa ofereça as ferramentas necessárias, como notebook, por exemplo, e junto a isso oferecer oportunidades reais de desenvolvimento.

Critério de escolha deve ir além do modelo de trabalho

O fato é que a escolha do melhor modelo de estágio deve levar em conta não apenas as tendências do mercado que, atualmente, mostram uma leve retomada do presencial (48,4% das empresas, segundo o estudo), mas também a fase de vida dos jovens, o setor de atuação da empresa e o compromisso com o aprendizado. “Vale avaliar cada oportunidade em sua totalidade: cultura da empresa, projeto de desenvolvimento, propósito. O formato é só um pedaço dessa equação”, conclui a porta-voz.

A tendência é que o estágio híbrido permaneça como um modelo forte, mas que acompanhe o ritmo de retorno das empresas ao presencial, especialmente nos setores industriais, farmacêutico e da construção civil. Mais do que o formato, o que deve orientar a decisão de estudantes e empresas é a qualidade da experiência e o impacto que ela terá no início da carreira.

“Cabe ao estagiário avaliar qual oportunidade faz mais sentido para o seu momento: se o objetivo é crescer, se desenvolver e alavancar a carreira, a vivência presencial pode ser um diferencial importante. Em outros casos, a escolha pode recair sobre uma empresa com um programa estruturado de desenvolvimento, com mentores atuantes ou com um conjunto de benefícios mais robustos. Cada fator,  como propósito da organização, importância da empresa no segmento e interesses de carreira, deve ser considerado com atenção na hora de decidir, além do modelo de trabalho”, conclui a especialista.

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