A empresa treina seus colaboradores, mas não sabe fazer o conhecimento circular
25 / 09 12:11 ( 3596609 )
A empresa treina seus colaboradores, mas não sabe fazer o conhecimento circular
Por Vinicius Arakaki, cofundador e diretor da Edusense
Há empresas que conseguem dizer exatamente quantos treinamentos realizaram no último ano, quantas pessoas participaram e quantos certificados foram emitidos. Mas poucas conseguem responder o que a organização passou a fazer melhor depois disso?
Esse talvez seja o maior paradoxo do Treinamento e Desenvolvimento (T&D) atual, já que nunca tivemos tanta oferta de conteúdo, plataformas, trilhas, workshops e programas de desenvolvimento, e ainda assim, boa parte do conhecimento continua sendo propriedade de quem participou do treinamento e não da empresa que investiu nele.
É como se estivéssemos investindo cada vez mais para aumentar o conhecimento individual sem construir, na mesma proporção, a inteligência coletiva. E problema não está no treinamento, mas em acreditar que ele sozinho produz aprendizagem.
Quando um profissional participa de uma formação sobre liderança, por exemplo, o ganho inicial é individual, mas imagine que depois disso, ele mude a forma como conduz reuniões, compartilhe uma prática com outros gestores, ajude sua equipe a resolver conflitos e essa experiência seja incorporada ao modo como a empresa desenvolve suas lideranças. Nesse caso, o conhecimento deixou de estar apenas na cabeça de uma pessoa e se tornou um patrimônio organizacional.
Essa é uma mudança importante de perspectiva, porque o objetivo do T&D não deveria ser apenas fazer pessoas aprenderem, mas fazer a organização aprender também por meio das pessoas, e isso exige ir além da lógica de consumo de conteúdo.
Uma empresa não aprende porque seus funcionários assistiram a mais vídeos, completaram mais trilhas ou acumularam mais certificados, ela aprende quando aquilo que foi descoberto por alguém consegue circular, ser aplicado por outros e alterar decisões, comportamentos e processos.
O conhecimento não pode ficar parado
Há uma consequência estratégica nisso. Imagine duas empresas diante da mesma transformação tecnológica. Em ambas, alguns profissionais fazem cursos sobre a nova tecnologia. Na primeira, o conhecimento permanece concentrado nesses especialistas. Na segunda, o que foi aprendido é compartilhado, testado, adaptado e incorporado rapidamente por diferentes áreas. A diferença entre elas não está na quantidade de treinamento, mas na velocidade de aprendizagem organizacional.
Em um ambiente no qual tecnologias, competências e modelos de negócio mudam continuamente, essa velocidade pode ser mais relevante do que a quantidade de conteúdo disponível. Concorrentes podem comprar as mesmas ferramentas, contratar profissionais semelhantes e acessar as mesmas informações, mas o que é mais difícil de copiar é a capacidade de transformar conhecimento em prática de maneira consistente.
Por isso, a área de T&D precise começar a não só medir quantas pessoas foram treinadas, mas quantas práticas mudaram. Não apenas a conclusão de uma trilha, mas sua aplicação no trabalho. Não apenas a satisfação com o curso, mas o que foi compartilhado depois dele. E principalmente, quanto do conhecimento gerado por uma pessoa passou a beneficiar outras.
Isso também muda o papel de quem trabalha com desenvolvimento, sendo que o T&D deixa de ser apenas uma área que disponibiliza conhecimento e passa a atuar como uma infraestrutura para fazê-lo circular pela organização.
Porque existe uma diferença enorme entre uma empresa cheia de pessoas qualificadas e uma empresa que consegue transformar a qualificação dessas pessoas em capacidade coletiva. A primeira acumula conhecimento e a segunda aprende.
Em mercados cada vez mais rápidos, a vantagem competitiva é justamente descobrir quem consegue aprender mais rápido e fazer esse aprendizado chegar mais longe dentro da própria organização.
Sobre Vinicius Arakaki
É cofundador e diretor da Edusense, mestre em Tecnologias da Inteligência e Design Digital pela PUC-SP e empreendedor no setor de EdTech desde 2007, início de sua trajetória ao fundar sua primeira empresa focada em e-learning. Além disso, fundou a Edusense em 2018.
Sobre a Edusense
Fundada em 2018 e adquirida pelo DOT Digital Group no final de 2025, a Edusense é uma unidade de negócio do DOT com plataforma de aprendizagem focada em gestão de carreira. Reconhecida como referência no setor, é tricampeã na categoria Edtech da 100 Open Startups, o maior ranking de startups da América Latina, foi eleita uma das 100 Startups to Watch pela PEGN e Época Negócios e campeã da etapa brasileira do GESAwards, a maior competição global de edtechs, alcançando a final entre mais de 8.000 empresas de 135 países.
A plataforma da Edusense adota uma abordagem adaptativa ao ensino e aprendizagem, integrando inteligência artificial e análise de dados para personalizar experiências e atender às necessidades individuais de cada usuário. Além disso, oferece recursos avançados como gamificação, social learning, ferramenta de autoria, learning analytics, mobile learning e uma base de conhecimento, permitindo que cada cliente implemente sua própria estratégia educacional com autonomia e eficiência.
Com um DNA inovador, a Edusense está sempre em busca de novas tecnologias e metodologias para potencializar o aprendizado e impulsionar o desenvolvimento de pessoas e negócios. Além disso, conta com mais de 100 clientes ativos em todo o país. Saiba mais em www.edusense.com.br
AVISO
O Emprega Campinas não autoriza o uso das informações disponibilizadas em seu site por terceiros. As informações compõe o acervo da empresa, que é protegido por lei.
Site monitorado por Barini De Santis Sociedade de Advogados.
Denunciar abuso